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alquimia.jpgPercursora da química, a alquimia (do árabe alkimiya – a pedra filosofal) possui sua origem no antigo Egito. Os cientistas árabes refinaram de tal modo a metodologia da pesquisa tornando a alquimia a mais cientifica das operações medievais, tais pesquisadores acreditavam que todos os metais possuíam uma estrutura básica modificável, e que , desta forma, podiam ser transmutados uns nos outros.
Visionariamente duas metas impeliam os sábios medievais a uma vida inteira em laboratórios: a pedra filosofal, cuja substância manteria poderes de transformação de qualquer metal menos nobre em ouro e o elixir da longa vida – o al-iksir dos árabes (essência), cuja capacidade era o prolongamento indefinido da vida das pessoas.
Sempre houve uma elite de alquimistas desinteressados da mera busca de produzir ouro através de processos mágicos, para esses, o trabalho laboratorial era essencialmente centrado no símbolo e em seu efeito psíquico. Quanto ao ouro, estavam convencidos de que não almejavam o vil metal, mas uma transmutação espiritual própria.
Aurum nostrum nom est aurum vulgi – ensinavam – Nosso ouro não é o do vulgo.
Transformai-vos em pedras filosofais vivas!
Os alquimistas nunca diriam em linguagem explicita o que lhes passava pela mente. Invocavam em defesa da obscuridade o desejo e a necessidade de proteger ensinamentos secretos da compreensão do vulgo, que os poderia usar indevidamente.
Ao desenvolverem-se as ciências modernas como a psicologia e a física quântica, os textos alquímicos passaram a serem vistos com admiração, ainda que não tenham sido resgatados em sua plenitude. Para Lyall Watson a transmutação dos metais significava apenas o simbolismo da transformação do ser humano em algo mais perfeito, por meio da exploração potencial da natureza.
Jung, o enciclopédico doutor suíço considerava-a mais como precursora da moderna psicologia do que da química moderna, as raízes da psicologia encontravam solidamente implantadas nos textos alquímicos que estudou durante mais de uma década.
Através de seus enigmáticos textos, cheios de símbolos, os alquimistas nos falam de coisas como consciente e inconsciente, hemisférios cerebrais, corpo, alma e espírito, processo evolutivo, integração personalidade/individualidade, polaridade energética dos seres, psíquico da matéria, restrições impostas pelo acoplamento da unidade espiritual ao corpo físico, redenção como um trabalho pessoal de cada um, e talvez muitas coisas que ainda não tenhamos percebido em seus escritos.
A alquimia, da mesma forma que a astrologia séria, além de ser uma ciência secular baseia-se no pensamento analógico.
Na observação do comportamento psicológico humano, frequentemente são encontrados processos e vivências fora de nossa expectativa racional, este fato apesar de sua existência é ignorado pela postura racionalista da ciência, porém Carl Gustav Jung, criador da psicologia discordando entre outros pontos das citações freudianas, concluiu que o inconsciente possui algo mais que conteúdos infantis reprimidos, encontrando em determinados pacientes sem interações, imagens históricas propagando-se universalmente, e aflorando, em certas situações psíquicas naturais à mente.
Carl Jung deu o nome de arquétipos à esse conjunto de formas, emoções, posturas, ideias e situações; modelos que compõem o conhecimento universal, ainda que não estejamos conscientes disto.
Na observação atenta da natureza e a vida humana podemos perceber um processo envolvendo um movimento de ir entre dois pólos da existência: matéria e espírito. Não se tratando de pólos opostos, e sim extremidades opostas de uma escala que condensa-se em uma direção e rarefaz-se na outra.
A condensação do espírito se faz gradualmente, camada por camada até tornar-se matéria, e esta última é rarefeita pelo mesmo processo no sentido inverso até tornar-se espírito.
Dá-se o nome de criação ao processo de condensação e liberação ao de rarefação.
Considerando-se o espírito como um ápice central, assim como nosso astro rei o Sol, desta maneira a criação representa um ponto de afastamento deste ápice central e de penetração na área que o circunda, transmitindo desta mesma forma que o Sol sua energia na forma de eternos pontos de luz condensando-se gradualmente, de uma forma éterica à uma forma material.
Segundo ainda alguns conceitos alquimistas, no estágio final, eles criam uma forma de vida, do reino humanóide ao reino mineral, e no desaparecimento dessa forma, os materiais que a constituem são liberados e se tornam rarefeitos, transformando-se em energia que mais uma vez são atraídas ao ápice central (O Sol).
Ao exalar do Sol há a inalação da Terra, ao exalar da Terra há a inalação do Sol.
Ao exalar do Sol, raios de energia espalham-se em cada um dos planetas criando um número infinito de formas de vida, a Ciência já encontrou tundras em plutão, mas em se tratando de alquimia essas formas de vida podem permanecer em dimensões inacessíveis ao nossos olhos devido a multiplicação.
Quando o Sol inala, os raios provenientes dessas mesmas formas de vida retornam para o ponto central, isso é a síntese, esse processo é observado no reino vegetal durante as estações do ano que simbolizam a exalação e a inalação do Sol.
Depois do verão, a energia-vida em sua busca do ponto central concentra-se nas sementes, enquanto as outras formas definham e perecem, servindo de alimento para as sementes em germinação. Este ciclo de condensação e rarefação é a construção da matéria para obter a forma e o ciclo continuo de sua decomposição. A digestão humana dos alimentos consiste em um processo similar, o alimento que ingerimos é composto de várias formas de vida que consecutivamente são convertidas, transformadas e digeridas.
Podemos observar uma semelhança no processo da alma humana, as experiências, e impressões e inspirações alimentam nossas almas para seu desenvolvimento, e, são transformadas por ela resultando em suas próprias formas de vida, pensamentos, sentimentos, vontades e ações.
alquimia3p.jpgEm uma auto observação podemos observar esse mesmo ritmo em fases-eu (afastamento da essência) e fases-você (convergência à essência).
No decorrer das fases-eu o indivíduo se converge da unidade para a multiplicidade, enquanto nas fases-você converge-se da multiplicidade para a unidade. Nas fases-eu, o indivíduo expressa-se por conta própria e risco próprio,
enquanto nas fases-você ele deixa-se guiar por seus mestres e interage com o ambiente que o rodeia.
Em antecipação ao entendimento da alquimia é necessário idealizar claramente o processo da vida.
O processo de Transmutação declara-nos haver apenas uma força cósmica se revelando a nós sob várias formas e atuando em várias direções operacionais.
Em primeiro enquanto o espírito se encontra no processo de materialização – Força de vida.
Em segundo enquanto a matéria está se transformando em espírito – de morte.
Cada criatura transmuta essa força única enquanto ela flui de seu ser, essa força é utilizada para a criação de uma variedade de formas, desde o corpo humano transmutando energia para o desenvolvimento da alma, ou na planta absorvendo alimento para florir.
Desprendendo partículas de si mesmos os metais também sofrem um processo de transmutação muito lento.
O alvo da alquimia é portanto a transformação gradual da forma material, no interior da qual está expressa uma força ou poder, numa direção que vai do grosseiro para o requintado.
Em comparação com o Mestre da humanidade, possuímos pouca porcentagem de consciência desperta, e, em todos os livros de alquimia lemos que para fazer ouro sempre temos que começar com uma pequena quantidade desse metal, não se tratando do ouro vulgar, podemos dizer que possuímos o necessário para transmutarmos nosso pequeno índice de consciência em algo mais grandioso.
Trabalhando então com essa pequena quantidade, o ouro então se multiplica, se utilizarmos uma analogia, isso se torna mais compreensível, um indivíduo humano não pode tornar-se um Deus se nele não houver uma porcentagem de Divindade. Entre todos os metais, o ouro é análogo à natureza divina do homem, assim como o Sol e o coração.
A liberação, o retorno da matéria para o espírito inicia-se na área mais distante do ponto divino.
A condensação é maior na periferia: matéria, materialismo, ignorância e inconsciência. Por esse motivo, o processo de aceleração alquímica deve iniciar-se com a purificação da matéria, paralelo ao despertar da percepção da verdade na alma, assim sendo o homem deve perceber que é um filho de Deus e que possui dentro de si o ouro divino, o embrião de alma a ser desenvolvido.
Durante o sono, entre a morte e o renascimento e no mundo, ocorre esse processo de purificação em cada alma humana, desse modo o alquimista purifica a substância com a qual pretende trabalhar e que pode ser os próprios conteúdos psíquicos, até que as tenha em suas mãos em estado puro de Matéria Prima, o Corpo Causal, Mental e Astral em estados solares ou irradiantes.
No curso da chamada Santa Missa, que representa o processo diário e anual que ocorre entre o Sol e a Terra, e, entre Deus e o homem, inicia-se com um ato de purificação do corpo por meio da aspersão com água benta contida em um aspersório (aspergs me) e a da alma pela confissão dos pecados (confiteor), mas o adharma católico marcou presença político-religiosa na época de Hitler, e, sem duvidas levou Jung a saber que a única tradição associada ao Cristianismo que considerava a alma humana como receptáculo do encontro divino-humano era a dos gnósticos.
Os princípios da química, colocados em ação pelos alquimistas inicia-se com uma mistura compacta basicamente composta de três componentes em um almofariz de ágata, mas o ouro que procuramos não é o ouro do vulgo, e sim uma mudança dentro do próprio alquimista, sujeito a mutações, atingirá outro estado de ser elevando-se a outro nível de consciência.
O que a alquimia descreve em termos químicos superficiais é paralelo ao processo de refinamento que ocorre dentro do próprio homem, a alquimia interior, pode verdadeiramente agir sem sua correspondente exterior.
O coração divino de um ser humano deseja voltar à Origem, e, quanto mais a pessoa auxilia o processo, tanto mais este é completado, pois o caminho já está residuado subconscientemente. O ser se afasta naturalmente das coisas impuras na procura da paz e natureza tranqüila ainda não conspurcada, observando o processo da transmutação, através da introspecção, observando o íntimo e os eventos exteriores, obtém sua consciência de transformação por estágios.
Em épocas primitivas, quando as pessoas pensavam através das imagens, um vasto e rico material arquétipo se fizera.
Cada estágio alquímico corresponde à um nível de crescimento da alma.
No athanor, o forno do alquimista, arde o fogo que consome a imundície e coze a matéria, esse forno é análogo ao nosso fogo vital, que se conceitua ser a kundalini. Ele é análogo ao fogo espiritual que há em nossa alma e arde para purifica-la, é a vontade forte que cozinha o ego, a alma e o corpo, e a essa decisão representa o processo de calcinação na alma.
A morte do velho ego para o alquimista traduz o objetivo de sua essência e este não é fugir da Terra o mais depressa possível a fim de alcançar o céu e sua bem-aventurança, mas contribuir para a santificação geral da Terra e de todas as suas criaturas, conduzindo-a ao estado original a que se aspira.
A sublimação é produzida por um processo de vida puro, com uma dieta sóbria, que em outras palavras só devemos tirar aquilo que a planta está preparada para doar-nos.
O processo da solução é o do silêncio trazendo-nos a paz que deriva de uma fusão completa de opostos, é também o estágio de Mercúrio, o assexuado, o ser perfeito. Na vida procuramos chegar a isto através da meditação.
A Própria natureza fornece-nos um modelo para esse processo, na união espiritual e física entre um homem e uma mulher puros. Este era o casamento, na antiguidade, entre o sumo-sacerdote e a representante de uma deusa, ou da alta sacerdotisa e o representante de um deus.
Em tal união não há ejaculação de esperma nem desejos descontrolados, uma vez que os fluidos produzidos pelas glândulas sexuais já foram refinados e tornaram-se correntes etéricas de energia que podem alcançar rapidamente altitudes mais elevadas; especialmente a glândula pineal, ativando e desenvolvendo as mais altas capacidades do homem. Nesse momento de união, todos os pares de pólos do corpo inteiro se fundem e se unem representando as energias de todos os pares de órgãos e glândulas, até onde se opõem mutuamente, todos se tornam um. Em nossa educação superficial, lutamos para conseguir isso através de mantras e da meditação, todos os desejos se evaporam e o egoísmo desaparece, dessa forma libertamos a centelha divina que está no coração e que então envia sua irradiação jubilosa para cima, para cabeça e para consciência do indivíduo, do templo para o templo.

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