Dogma e Fanatismo

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Todo sistema religioso tem seus pontos fundamentais e indiscutíveis aos quais chamamos de dogmas. São “verdades” aceitas sem discussão, apenas pela fé. No sistema cristão, em especial, os pontos fundamentais que sustentam essa crença são defendidos por seus teólogos com afirmações de que os mesmos só podem ser entendidos por aqueles iluminados pelo espírito santo, sendo isto também um outro dogma cristão. Isto é útil para afastar os questionamentos daqueles que não corroboram com essas idéias, pois estes “infelizes não receberam as graças de Deus” ou “não conheceram Jesus”. É bem sofisticado e engenhoso: dogmas para defender dogmas! Se aquele que não acredita no dogma não pode questioná-lo, quem o fará? 

 Mas quando sabemos quando um dogma é verdadeiro? E quando o dogma é verdadeiro, necessitamos dele? Acaso a verdade precisa ser dogmatizada? E se uma verdade estiver dogmatizada, isso é bom? E, finalmente, será que precisamos mesmo de um dogma?

A verdade não pode ser absoluta, porque ela é conceito que emitimos sobre uma proposição. Quando as pessoas afirmam que existe uma verdade absoluta, estão se referindo a uma proposição ser sempre verdadeira, ou seja, permanecer imutável independente de contextos. Uma proposição não é necessariamente eternamente verdadeira. Ela pode ser verdadeira diante de determinadas circunstâncias, e num dado momento pode não ser mais.  Novos dados acrescentados à avaliação da proposição podem alterar o julgamento que fazemos dela.

 Podemos dizer, humildemente, que uma afirmação é verdadeira por enquanto. Não sabemos se novos dados podem surgir e desmontar essa verdade. Ou seja, parafraseando o poeta, que a verdade seja eterna enquanto dure. E nesse tempo, nos é útil. Mas não devemos nos amarrar apaixonadamente, pois ela pode nos decepcionar a qualquer momento. Se uma verdade afunda, e estamos algemados a ela, afundamos juntos.

Quando uma pessoa aceita um dogma, não pode testar se ele é de fato verdadeiro. Isso é se algemar a uma verdade. 

Como nasce um dogma? Alguém julga que uma determinada proposição é verdadeira, e em seguida, julgando-a muito importante, a cristaliza, tornando-a imutável, porque também partem do princípio que essa verdade é absoluta, ou seja, nunca vai mudar.  Como fica a situação por exemplo, daqueles que acreditam ainda no Dogma de Adão e Eva, no Mundo de hoje, depois de descobertas arqueológicas, avanços científicos, Darwin, Big Bang e etc… Quem conseguiu questionar o dogma e vê-lo não como uma verdade, mas uma analogia, ainda pode vê-lo de outra maneira, porque não o vê dogmaticamente, mas mesmo assim, não pode provar ser verdade, ainda é questão de fé, quem ainda afirma por exemplo que Deus literalmente fez a mulher de uma das costelas de adão, seria considerado no mínimo um ingênuo.

Será que quem engessou o julgamento sobre essa proposição como sendo uma eterna verdade, estava de posse de todos os dados? Teria ele intenções justas, honestas ou será que interesses espúrios o levaram a formular esses dogmas? E mesmo tendo nobres intenções, será que novas descobertas não invalidariam esse antigo julgamento?

Não existe em medidas humanas de conhecimento “A Verdade”, pois esta seria necessariamente uma verdade absoluta, e portanto eterna, ou enquanto existir o Universo, já que nada existe fora dele – e mesmo que existisse, não nos teria utilidade, pois estando completamente fora do Universo, não teria influência sobre nada dentro dele. E não poderíamos atribuir valores sobre essa entidade, nem seria de importância ou conhecimento nosso o valor que ela atribuísse. Assim sendo, A Verdade absoluta presume um conceito fornecido pelo Universo em sua totalidade e detalhe, a única entidade que poderia conhecer a verdade seria o Criador deste mesmo Universo, nossas verdades absolutas são fruto de nossa ignorância e arrogância. Nossas verdades menores, em constante julgamento e aperfeiçoamento são frutos do que torna a Raça Humana tão espetacular em alguns sentidos. O Intelecto, o poder crítico e criador, o que chamam de Centelha Divina.

Para julgar se um dogma é verdadeiro, precisa-se antes de tudo não ser partidário dele. Uma pessoa que esteja presa ao dogma jamais aceitará contestá-lo, por definição.

Se um dogma é verdadeiro, mesmo assim não precisamos dessa verdade como dogma, porque podemos concluir que se trata de uma verdade fazendo os mesmos experimentos que aquele que o formulou. E se o experimento não puder, por acaso, ser refeito, então essa verdade não é de grande valia, pois não possui um caráter verídico.

Podemos usar um exemplo para verificar se realmente precisamos dogmatizar uma verdade. Um corpo, abandonado no alto, tende a cair. Sempre observamos isso. Tem sido verdade por muito tempo. Tudo nos leva a crer que seja sempre verdade, as pessoas têm então compulsão de afirmar que se trata de uma verdade absoluta. O que aconteceria se tivéssemos dogmatizado essa proposição? Teria Newton formulado as suas leis acerca da gravidade se tivesse aceito isso como dogma? Teria Einstein formulado a Teoria da Relatividade? Lembre-se, dogma é uma verdade aceita sem contestação, não se deve questionar, não se deve buscar o porquê. Sem as Leis de Newton, sem as teorias de Einstein, não teríamos muitas das evoluções tecnológicas, desde as modernas pontes, aviões e outros prodígios da engenharia até as conquistas espaciais. Toda a nossa compreensão do Universo estaria comprometida. 

 

 

Nada de Big Bang, nada de Buracos Negros, não compreenderíamos como as estrelas evoluem até seu colapso, não saberíamos explicar porque os planetas giram ao redor do Sol, nem porque não caímos da Terra, sendo ela redonda, o que contraria outro dogma. Um mundo sem comunicação via satélite, sem física quântica, sem mais o que explorar.

 

E se você estiver tentado a pensar: “bem, mais se Newton não formulasse sua teoria, tudo bem: outro o faria”, devo lembrar-lhe que dogmas são inquestionáveis. Você não precisaria explicar porque as coisas caem. É assim, e pronto. “Mas e se alguém, apesar do dogma, tentasse questionar e formulasse a tal teoria?” Então eu lhe respondo: essa pessoa teria que ser livre, não estar presa ao dogma, por definição. Quem crê em um dogma dispensa a necessidade de pensar mais sobre o assunto.

É ruim dogmatizar mesmo uma verdade.  Se é ruim dogmatizar uma verdade, o que dizer de uma mentira? Se um dogma é religioso, e alguém contesta esse dogma, então essa pessoa é acusada de heresia. Dependendo da época e do lugar que você viva, você pode ser condenado e levado à fogueira por isso. 

Concluímos que dogmatizar é sempre errado para quaisquer proposições, sejam elas verdadeiras ou falsas. 

Sendo assim, não precisamos de dogmas. E esta proposição, por sua vez, não é em si um dogma, como querem alguns. É apenas uma conclusão lógica, que pode ser contestada, testada, e refutada. Se provar-se falsa, não estarei algemado a ela. Mas enquanto se provar verdadeira, posso usá-la como ferramenta para outras conclusões, como por exemplo: “não precisamos de dogmas, logo as verdades fundamentais das religiões são, sim, questionáveis, e todos têm o direito de fazê-lo”.

O Fanatismo, s.m. Paixão cega que leva alguém a excessos em favor de uma religião, doutrina, partido etc. é caracterizado pela convicção obsessiva de que todos os aspectos da vida devem se subordinar incondicionalmente a um único e determinado aspecto, pode ser motivado pelas mais diversas paixões: da política ao esporte; mas é na religião que o fanatismo encontra sua forma mais pura e individualmente mais destrutiva.

Todo fanático assimila como verdade inquestionável a doutrina que alimenta o seu fanatismo. Doutrinas de natureza laica, como as ideologias políticas, são capazes de produzir terror e destruição em grau superior ao que podem fazer hoje aquelas de natureza religiosa. Como a maioria dos países estabelece a separação entre religião e estado, somente o fanatismo político pode mobilizar recursos para destruição em massa, como fez o Nazismo e o Stalinismo.

Se por um lado o fanatismo político possui maior capacidade de destruição física, o fanatismo religioso é muito mais poderoso no que se refere destruição do indivíduo.

É comum vermos fanáticos políticos mudarem de posicionamento quando os ventos da História mudam de direção. Após a derrota, nazistas convictos se diziam “chocados” com os campos de extermínio que ajudaram a construir e comunistas “fanáticos” se converteram em empresários milionários na Moscou pós-queda do muro de Berlim. O fanatismo político está fortemente associado a oportunismo.

Já o fanático religioso é arrasadoramente sincero. Ele não está interessado em recompensas “nesta vida” ou “neste mundo”. Seu desprendimento da realidade é tão grande que nenhum fator dessa realidade é capaz de impor restrição ou limite aos atos motivados pela convicção fanática.

Ao dedicar-se ao que chama ou considera como alma, o fanático nada mais faz além de destruí-la e destruir-se, uma vez que todos os elementos de sua personalidade que o definiam como um indivíduo único são pulverizadas e remodelados pelas formas doutrinárias definidas pelo dogma religioso. Redefinido em todos os seus princípios e valores, o fanático religioso amará o que a religião diz que deve ser amado e odiará o que a religião diz que deve odiado, e o fará, ao contrário do fanático político, com a mais absoluta sinceridade, sem fingimentos ou segundas intenções.

O religioso que ouvisse isso poderia argumentar que se ele for fanático por uma crença que manda amar a todos e odiar a ninguém então nenhum mal poderia resultar deste fanatismo. Mas diz Pedro Vergara em seu livro “Fanatismo e Homicidio”:

Errado. Perigosamente errado. Nenhum ato construtivo pode vir de uma personalidade fanática simplesmente porque os valores construtivos foram destruídos dentro dele. Os únicos valores que lhe restaram são aqueles especificados pelo dogma. Assim para o fanático, amar alguém é trazê-lo para o seu grupo, convertê-lo, pela força se necessário.

Em seu estágio final e completo, o fanático religioso rompe seus últimos vínculos com a realidade. Se a realidade contraria o dogma, então a realidade é o inimigo e deve ser combatida, assim como devem ser combatidos aqueles que sustentam que a realidade e não o dogma representam a verdade, ou algo mais próximo dela

Atingido este estágio, o fanático abandona o último valor que competia com o valor dado ao dogma: o respeito pela vida, seja a dos outros ou a sua própria. Se a realidade tornou-se um inimigo a ser combatido, o assassinato (individual ou em massa) pode ser visto como uma missão divina a ser cumprida e a própria morte no “martírio”, como uma graça a ser conquistada.

O que torna cada ser humano especial é o fato de ser um indivíduo único. Em cada mente existe uma luz rara, com um brilho particular que não pode ser reproduzido em nenhuma outra. Aquele que cede ao fanatismo atenta contra o brilho da própria individualidade, apaga sua própria luz e mergulha na escuridão.

O Simbolismo do Fogo Através do Tempo, Culturas e Religiões

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A origem da sociedade humana, como a conhecemos atualmente, ocorreu a partir do momento em que o Homem passou a dominar o fogo. Antes do domínio do fogo, o Homem vivia de maneira similar às demais espécies animais, com uma incipiente capacidade de comunicação e com uma pequena organização social – reflexos de um intelecto pouco desenvolvido. A partir do domínio do fogo o cérebro humano desenvolveu-se abruptamente, proporcionando um salto qualitativo na nossa vida.

Fogo Na NaturezaAntes das técnicas de controle e propagação do fogo, o Homem estava sujeito a ter e utilizar esse elemento apenas quando ocorriam queimadas por causas naturais, especialmente pelas descargas elétricas dos raios.

O domínio do fogo permitiu inúmeros avanços, dentre os quais: possibilitou que os grupos familiares estivessem ativos durante a noite; permitiu o preparo de alimentos e bebidas; foi usado em caçadas e no afugentamento de animais e grupos rivais; passou a ser empregado na agricultura e pecuária, servindo para limpeza de áreas; e foi amplamente empregado na fundição de metais. Além da grande importância do fogo através de seus múltiplos usos na atividade prática do dia-a-dia do Homem deve-se considerar também um outro aspecto extremamente relevante em relação ao fogo e a História da humanidade, que se trata de seu valor simbólico para diferentes povos e culturas.

O fogo não fala aos animais, mas, fala ao homem. Ante o fogo, o animal se espanta e foge, mas o homem espanta-se e aproxima-se. É que entre ele e o fogo, há alguma coisa que os irmana. Em todos os povos, o fogo é objeto de culto, e do culto mais profundo. É o homem o único ser que se apropria do fogo e o domina, sem dominá-lo. Misto de bem e de mal, o homem dirige-o apenas buscando-lhe o bem que ele oferece. E a lenda de Prometeu expressa bem a significação que o fogo tem, na formação do próprio homem. Os raios solares, fonte da vida, encontram no fogo algo que se lhes assemelha. A luz solar ilumina a terra e o fogo também ilumina, embora em grau menor. O fogo é assim o símbolo do sol, que é o símbolo do Ser Supremo.

O culto do fogo encontramo-lo em todos os povos, nos lares, nas lareiras dos romanos, nas nossas noites de São João, em todos os rituais à volta do fogo, dos diversos povos. É a chama mantida pelas vestais, a chama dos lares, que simboliza a família. E a casa em que o fogo morreu e se extinguiu, perdeu a sua potência, por isso ainda conservamos, sem bem compreender o seu significado, o fogo aceso nas igrejas, as piras dos atletas, as velas acesas dos templos, como encontramos também as flamires dos romanos, a vesta, o fogo do Estado, cujas sacerdotisas, as vestais, amparavam e serviam.

O fogo do lar recebe seu culto por motivos sociais. É considerado como um ser de natureza superior, ao qual se oferecem também oferendas de alimentos, e o qual era conservado com respeito, e honrado com cerimônia, sobretudo nas festas de casamento, onde devia acender-se o fogo de um novo lar. O culto do fogo, como grande força elementar, parece que não é separável do culto ao sol, até tal ponto que as festas do sol e da vida eram ao mesmo tempo festas do fogo. O culto restante compreendia o sol e o fogo, e a cerimônia do novo fogo, mediante a fricção das madeiras, verificava-se especialmente nas festas dos solstícios.

Nos gregos, há Apolo como o deus originário da luz e do fogo, que era venerado numa labareda sobre um trípode e que servia para se fazerem os oráculos, como entre os persas. Também era considerado protetor do fogo do lar, da cidade, das colônias e também dos rebanhos.

Hefaístos, nos gregos, era o deus do fogo material e do fogo da forja. A Héstia, deusa do fogo, particularmente do lar, também protetora do fogo da cidade e do Estado, eram dadas oferendas, antes e após cada sacrifício.

Corresponde-lhe, nos romanos, o deus Vulcano, deus do fogo, da forja, do incêndio, do fogo destruidor, mas também da família, do Estado, do lar. Sobre a família e o Estada pela Vesta, servida pelas virgens vestais, as encarregadas do fogo sagrado, da cidade e do Estado.

Entre os germânicos, a figura misteriosa e dúplice de Loki, mais próxima a Vulcano do que a Agni-Apolo, por seu caráter vivo e astuto, apresenta uma nota especial, que se explica pela influência da figura cristã de Lúcifer.

Flechas incendiárias eram atiradas em direção ao sol por ocasião de um eclipse, o que revela um desejo de domínio mágico do sol, entre tribos peruanas.

Há tribos árabes que acendem as fogueiras e saltam, repetindo o salto sete vezes. Além de julgarem o fogo purificador, também usam as cinzas das fogueiras como benéficas, e passam-nas pelo corpo e cabeça.

No Zoroastrismo, o fogo é um símbolo da sabedoria e luz divina. Os templos religiosos do Zoroastrismo, onde se desenrolam as cerimônias e se celebram os festivais próprios da religião, são conhecidos como Templos de Fogo. Os Templos de Fogo mais importantes do Irão e da Índia mantêm uma chama de fogo sagrado a arder perpetuamente.

Uma outra história, de origens helênicas, é a da ave Fênix, que sem o fogo não poderia nunca ressurgir das cinzas e voltar para a cidade de Heliópolis.

Na doutrina Hindu, que lhe confere fundamental importância. Agni, Indra e Surya são os fogos dos mundos terrestre, intermediário e celeste (ou seja, o fogo comum, o raio e o Sol). Além disso, existem ainda dois fogos: O da penetração ou absorção (Vaishvanara), e o da destruição (outro aspecto de Agni.).

Os taoístas entram no fogo para liberar-se do condicionamento humano, apoteose a propósito da qual não se pode deixar de evocar a Elias, e sua carruagem de fogo ou São Martinho que diz; “O Homem é fogo, sua lei, como a de todos os fogos é a de dissolver (seu invólucro) e unir-se ao manancial do qual está separado”.

O Candomblé apresenta dentre as suas inúmeras divindades (Orixás), uma forte relação com os elementos da natureza: ar, terra, água e fogo. Xangô (mais popular entidade do Candomblé) é miticamente um rei, alguém que cuida da administração, do poder e, principalmente, da justiça. Ele tem o fogo como seu principal elemento natural. Os adeptos do Candomblé realizam inúmeras festividades ao longo do ano, muitas das quais, em presença de fogueiras e chamas.

Na Bíblia Sagrada, existem dezenas de referências ao fogo, muitas das quais o tratando de forma simbólica. Uma das mais marcantes referências do fogo na Bíblia trata-se da sua associação à presença Divina na vida do cristão. Logo após a crucificação e ascensão de Cristo aos céus os apóstolos permaneceram reunidos em oração. Naquele momento de intensa devoção todos foram cheios da presença do Espírito Santo que estava manifesto sobre suas cabeças como pequenas labaredas de fogo (ver Atos dos Apóstolos 02: 2-4).

O símbolo do fogo purificador e regenerador desenvolve-se do Ocidente ao Japão. A liturgia católica do fogo novo é celebrada na noite de Páscoa (Para quem não viu recomendo a Missa no Mosteiro dos Beneditinos que começa às 22 Horas do Sábado de Aleluia). A do Xintó (Japão) coincide com a renovação do Ano. Há ainda as línguas de fogo do Pentecostes.

O Alquimista, que fabrica a imortalidade à chama de seu fornilho, que deve ser compreendido como o fogo do cadinho interior, que corresponde ao plexo solar e ao manipura-chakra, que os iogues colocam sob o signo de fogo. Esse é o fogo que não queima do hermetismo ocidental, ablução, purificação alquímica simbolizada pela Salamandra.

O Buda substitui o fogo sacrifical do hinduísmo pelo fogo interior, que é ao mesmo tempo, conhecimento penetrante, iluminação e destruição do invólucro: Atiço em mim uma chama… Meu coração é a lareira e a chama é o Self (eu) domado. Os Upanixades asseguram, paralelamente, que queimar pelo lado de fora não é queimar. Daí o símbolo da Kundalini ardente na Ioga hindu, e o do fogo interior no tantrismo tibetano.

O Aspecto destruidor do fogo implica também evidentemente, um lado negativo; e o domínio do fogo é igualmente uma função diabólica. A propósito da forja, deve-se observar que seu fogo é a um só tempo celeste e subterrâneo, instrumento do demiurgo e de demônio. A queda de nível é representada por lúcifer. Portador da Luz celeste, no momento que é precipitado nas chamas do inferno; fogo que queima sem consumir embora exclua para sempre a possibilidade de regeneração.

Nas tradições celtas tem-se, a respeito do fogo como elemento ritual e simbólico, somente informações indiretas. Na Irlanda por exemplo, os textos fazem menção unicamente a festividade denominada Beltane , que se realizava no 1º de maio, data que marca o início do verão naquele local. Nessa ocasião, os druidas acendiam grandes fogueiras – o Fogo de Bel – (adaptado pela Igreja para Belzebu) e faziam passar o gado por entre elas, a fim de preservá-lo das epidemias. Mais tarde, essas fogueiras druídicas foram substituídas pela de São Patrício (O Grande Apóstolo Missionário da Irlanda, que segundo a história, teria acendido na véspera da Páscoa uma fogueira em Uisnech, região Centra do País, em desafio as praticas pagãs da época), signo que marcou decisivamente, o posterior prevalecimento do Cristianismo. César, no de Bello Gallico faz referencia a grandes manequins* de vime, dentro dos quais os gauleses costumavam encerrar homens e animais e em seguida atear fogo. (Alguma referencia ao Judas do Sábado de Aleluia? Ou a fogueira da inquisição?). A interpretação dos costumes gauleses é incerta e até hoje, mal estudada, porém, no caso da Irlanda, o simbolismo é visivelmente solar. É a Páscoa dos Pagãos.

Os inumeráveis ritos de purificação pelo fogo, em geral ritos de passagem – São característicos das culturas agrárias. Com efeito, simbolizamos incêndios dos campos que se adornam, após a queimada, com um manto verdejante de natureza viva e renovada.

O Fogo, nos ritos iniciáticos de morte e renascimento, associa-se ao seu principio antagônico, a Água. A Purificação pelo fogo, portanto é complementar à purificação pela água, tanto no plano micro cósmico (ritos iniciáticos) quanto no plano macro cósmico (mitos alternados de dilúvios e de grandes secas ou Incêndios). O Fogo, portanto é, sobretudo o motor da regeneração periódica.

Certos ritos crematórios têm como origem a aceitação do fogo na qualidade de veiculo ou mensageiro entre o mundo dos vivos e dos mortos. Assim na ocasião de certas festividades comemorativas de um falecimento, os Teleutas dirigem-se em procissão ao cemitério, onde duas fogueiras, uma à cabeceira do ataúde, e outra junto à base. Os Cristãos acendem velas.

Dionísio o Areopagita, dizia que o fogo era a melhor imagem dos seres celestiais, ou a menos imperfeita de suas representações ele dizia: “A teologia, como se pode constatar situa as alegorias extraídas do fogo, quase acima de todas as demais”. Observarás, efetivamente, que ela não nos apresenta apenas a representação de rodas inflamadas, espadas flamejantes portadas por Seres Celestiais, Carruagens de fogo, a de Homens de certo modo, fulgurantes, e que ela imagina em torno das essências inferiores, amontoadas de brasas escaldantes, e rios de lava, trazendo fogo em seu caudal, em meio a um ruído atroador. Ela afirma, além disso, que os troncos também são escaldantes e invoca a etimologia da palavra Serafim para declarar que essas inteligências superiores são incandescentes para atribuir-lhes as propriedades e os atributos do fogo.. No todo, quer se trate do alto ou da parte mais baixa da hierarquia, suas preferências inclinam-se sempre para as alegorias extraídas do fogo. Parece-me que a imagem do fogo seja, efetivamente, a que melhor pode revelar a maneira pela qual as inteligências celestes se adaptam a Deus. E por isso tantos santos teólogos descrevem tantas vezes sob forma incandescente essa Es sência sobrenatural que escapa a qualquer figuração, e é essa forma que fornece mais de uma imagem visível daquilo que apenas ousamos chamar de propriedade teárquica.

Assim como o Sol, pelos seus raios, o fogo simboliza por suas chamas a ação fecunda, purificadora e iluminadora. Mas também um aspecto negativo: obscurece e sufoca, por causa da fumaça, queima devora e destrói: o fogo das paixões, do castigo e da guerra. O fogo terrestre simboliza o intelecto, a consciência, com toda sua ambivalência. A Chama, a elevar-se para o céu, representa o impulso em direção a espiritualização. O Intelecto, em sua forma evolutiva, é servidor do espírito.

Mas a chama também é vacilante, e isso faz com que o fogo também se preste a representação do intelecto quando esse se descuida do espírito. Lembremos-nos de que o espírito, nesse caso, deve ser entendido no sentido de supra-consciente. O fogo, fumegante e devorador, numa antitese completa da chama iluminadora, simboliza a imaginação exaltada(supertições)… o subconsciente soberbo(Vaidade)… a cavidade subterrânea(Depressão)… o fogo infernal… o intelecto em sua forma revoltada: em suma, todas as formas de regressão psiquica.

O fogo, na qualidade de elemento que queima e consome é também símbolo de purificação e de regeneração. Reencontra-se, pois, o aspecto positivo da destruição: Nova inversão do símbolo, que se desdobra em múltiplas ambivalências. Todavia, a água é também purificadora e regeneradora. Mas o fogo distingue-se da água porquanto ele simboliza a purificação pela compreensão, até a mais espiritual de suas formas, pela Luz e pela verdade; ao passo que a água simboliza a purificação do desejo, até a mais sublime de suas formas – a bondade.

Ética e Moral

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Existe alguma confusão entre o Conceito de Moral e o Conceito de Ética. A etimologia destes termos ajuda a distingui-los, sendo que Ética vem do grego “ethos” que significa modo de ser, e Moral tem sua origem no latim, que vem de “mores”, significando costumes.

Esta confusão pode ser resolvida com o estudo em paralelo dos dois temas, sendo que Moral é um conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade, e estas normas são adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano. É a “ciência dos costumes”. A Moral tem caráter normativo e obrigatório.

Já a Ética é “conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, assim, o bem-estar social”, ou seja, Ética é a forma que o homem deve se comportar no seu meio social.

A Moral sempre existiu, pois todo ser humano possui a consciência Moral que o leva a distinguir o bem do mal no contexto em que vive. Surgindo realmente quando o homem passou a fazer parte de agrupamentos, isto é, surgiu nas sociedades primitivas, nas primeiras tribos. A Ética teria surgido com Sócrates, pois se exige maior grau de cultura. Ela investiga e explica as normas morais, pois leva o homem a agir não só por tradição, educação ou hábito, mas principalmente por convicção e inteligência. Ou seja, enquanto a Ética é teórica e reflexiva, a Moral é eminentemente prática. Uma completa a outra.

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Em nome da amizade, deve-se guardar silêncio diante do ato de um traidor? Em situações como esta, os indivíduos se deparam com a necessidade de organizar o seu comportamento por normas que se julgam mais apropriadas ou mais dignas de ser cumpridas. Tais normas são aceitas como obrigatórias, e desta forma, as pessoas compreendem que têm o dever de agir desta ou daquela maneira. Porém o comportamento é o resultado de normas já estabelecidas, não sendo, então, uma decisão natural, pois todo comportamento sofrerá um julgamento. E a diferença prática entre Moral e Ética é que esta é o juiz das morais, assim Ética é uma espécie de legislação do comportamento Moral das pessoas.

Ainda podemos dizer que a ética é um conjunto de regras, princípios ou maneiras de pensar que guiam, ou chamam para si a autoridade de guiar, as ações de um grupo em particular, ou, também, o estudo da argumentação sobre como nós devemos agir.

Também a simples existência da moral não significa a presença explícita de uma ética, entendida como filosofia moral, pois é preciso uma reflexão que discuta, problematize e interprete o significado dos valores morais.

platão e aristoteles

Podemos dizer, a partir dos textos de Platão e Aristóteles, que, no Ocidente, a ética ou filosofia moral inicia-se com Sócrates.

Para Sócrates, o conceito de ética iria além do senso comum da sua época, o corpo seria a prisão da alma, que é imutável e eterna. Existiria um “bem em si” próprios da sabedoria da alma e que podem ser rememorados pelo aprendizado. Esta bondade absoluta do homem tem relação a uma ética anterior à experiência, pertencente à alma e que o corpo para reconhecê-la terá que ser purificado.

Aristóteles subordina sua ética à política, acreditando que na monarquia e na aristocracia se encontraria a alta virtude, já que esta é um privilégio de poucos indivíduos. Também diz que na prática ética, nós somos o que fazemos, ou seja, o Homem é moldado a medida em que faz escolhas éticas e sofre as influencias dessas escolhas.

O Mundo Essencialista é o mundo da contemplação, idéia compartilhada pelo filósofo grego antigo Aristóteles. No pensamento filosófico dos antigos, os seres humanos aspiram ao bem e à felicidade, que só podem ser alcançados pela conduta virtuosa. Para a ética essencialista o homem era visto como um ser livre, sempre em busca da perfeição. Esta por sua vez, seria equivalente aos valores morais que estariam inscritos na essência do homem. Dessa forma – para ser ético – o homem deveria entrar em contato com a própria essência, a fim de alcançar a perfeição.

Costuma-se resumir a ética dos antigos, ou ética essencialista, em três aspectos: 1) o agir em conformidade com a razão; 2) o agir em conformidade com a Natureza e com o caráter natural de cada indivíduos; 3) a união permanente entre ética (a conduta do indivíduo) e política (valores da sociedade). A ética era uma maneira de educar o sujeito moral (seu caráter) no intuito de propiciar a harmonia entre o mesmo e os valores coletivos, sendo ambos virtuosos.

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Com o cristianismo romano, através de S. Tomás de Aquino e Santo Agostinho, incorpora-se a idéia de que a virtude se define a partir da relação com Deus e não com a cidade ou com os outros. Deus nesse momento é considerado o único mediador entre os indivíduos. As duas principais virtudes são a fé e a caridade.

Através deste cristianismo, se afirma na ética o livre-arbítrio, sendo que o primeiro impulso da liberdade dirige-se para o mal (pecado). O homem passa a ser fraco, pecador, dividido entre o bem e o mal. O auxílio para a melhor conduta é a lei divina. A idéia do dever surge nesse momento. Com isso, a ética passa a estabelecer três tipos de conduta; a moral ou ética (baseada no dever), a imoral ou antiética e a indiferente à moral.

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As profundas transformações que o mundo sofre a partir do século XVII com as revoluções religiosas, por meio de Lutero; científica, com Copérnico e filosófica, com Descartes, oprimem um novo pensamento na era Moderna, caracterizada pelo Racionalismo Cartesiano – agora a razão é o caminho para a verdade, e para chegar a ela é preciso um discernimento, um método. Em oposição à fé surge agora o poder exclusivo da razão de discernir, distinguir e comparar. Este é um marco na história da humanidade que a partir dai acolhe um novo caminho para se chegar ao saber: o saber científico, que baseia-se num método e o saber sem método é mítico ou empírico.

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A ética moderna traz à tona o conceito de que os seres humanos devem ser tratados sempre como fim da ação e nunca como meio para alcançar seus interesses. Essa idéia foi contundentemente defendida por Immannuel Kant. Ele afirmava que: “não existe bondade natural. Por natureza somos egoístas, ambiciosos, destrutivos, agressivos, cruéis, ávidos de prazeres que nunca nos saciam e pelos quais matamos, mentimos, roubamos”.

De acordo com esse pensamento, para nos tornarmos seres morais era necessário nos submetermos ao dever. Essa idéia é herdada da Idade Média na qual os cristãos difundiram a ideologia de que o homem era incapaz de realizar o bem por si próprio. Por isso, ele deve obedecer aos princípios divinos, cristalizando assim a idéia de dever. Kant afirma que se nos deixarmos levar por nossos impulsos, apetites, desejos e paixões não teremos autonomia ética, pois a Natureza nos conduz pelos interesses de tal modo que usamos as pessoas e as coisas como instrumentos para o que desejamos. Não podemos ser escravos do desejo.

hegel No século XIX, Friedrich Hegel traz uma nova perspectiva complementar e não abordada pelos filósofos da Modernidade. Ele apresenta a perspectiva Homem – Cultura e História, sendo que a ética deve ser determinada pelas relações sociais. Como sujeitos históricos culturais, nossa vontade subjetiva deve ser submetida à vontade social, das instituições da sociedade. Desta forma a vida ética deve ser “determinada pela harmonia entre vontade subjetiva individual e a vontade objetiva cultural”.

Através desse exercício, interiorizamos os valores culturais de tal maneira que passamos a praticá-los instintivamente, ou seja, sem pensar. Se isso não ocorrer é porque esses valores devem estar incompatíveis com a nossa realidade e por isso devem ser modificados. Nesta situação podem ocorrer crises internas entre os valores vigentes e a transgressão deles.

Já na atualidade o conceito de ética se fundiu nestas duas correntes de pensamento:

A ética praxista, em cuja visão o homem tem a capacidade de julgar, ele não é totalmente determinado pelas leis da natureza, nem possui uma consciência totalmente livre. O homem tem uma co-responsabilidade frente as suas ações.

A ética Pragmática, Com raízes na apropriação de coisas e espaços, na propriedade, tem como desafio à alteridade (misericórdia, responsabilização, solidariedade), para transformar o Ter, o Saber e o Poder em recursos éticos para a solidariedade, contribuindo para a igualdade entre os homens: “distribuição eqüitativa dos bens materiais, culturais e espirituais”.

O homem é visto, como sujeito histórico-social, e como tal, sua ação não pode mais ser analisada fora da coletividade. Por isso, a ética ganha novamente um dimensionamento político: uma ação eticamente boa é politicamente boa, e contribui para o aumento da justiça, distribuição igualitária do poder entre os homens. Na ética pragmática o homem é politicamente ético, – “todos os aspectos da condição humana, têm alguma relação com a política” – há uma co-responsabilidade em prol de uma finalidade social: a igualdade e a justiça entre os homens.

Nietzsche

Na Contemporaneidade, Nietzsche atribui a origem dos valores éticos, não à razão, mas a emoção. Para ele, o homem forte é aquele que não reprime seus impulsos e desejos, que não se submete a moral demagógica e repressora. E para coroar essa mudança radical de conceitos, surge Freud com a descoberta do inconsciente, instância psíquica que controla o homem, burlando sua consciência para trazer à tona a sexualidade represada e que o neurotiza. Porém, Freud, em momento algum afirma dever o homem viver de acordo com suas paixões, apenas buscar equilibrar e conciliar o id com o super ego, ou seja, o ser humano deve tentar equilibrar a paixão e a razão.

Freud Hoje, em uma era em que cada vez mais se fala de globalização, da qual somos todos funcionários e insumos de produção, o conhecimento de nossa cultura passa inevitavelmente pelo conhecimento de outras culturas. Entretanto essa tarefa antropológica não é suficiente para o homem comum superar a crise da ética atual conhecendo o outro e suas necessidades para se chegar a sua convivência harmônica. Ao contrário, ser feliz hoje é dominar progresso técnico e científico, ser feliz é ter. Não há mais espaço para uma ética voltada para uma comunidade. Hoje se aposta no individualismo, no consumo, na rapidez de produção.

No momento histórico em que vivemos existe um problema ético-político grave. Forças de dominação tem se consolidado nas estruturas sociais e econômicas, mas através da critica e no esclarecimento da sociedade seria possível desvelar a dissimulação ideológica que existe nos vários discursos da cultura humana, sabendo disso, essas mesmas forças tem procurado controlar a mídia.

Em lugar da felicidade pura e simples há a obrigação do dever e a ética fundamenta-se em seguir normas. Trata-se da “Ética da Obediência”. Que impede o Homem de pensar, e descobrir uma nova maneira de se ver, e assim encontrar uma saída em relação ao conformismo de massa que está na origem da banalidade do mal, do mecanismo infernal em que estão ausentes o pensamento e a liberdade do agir.

Pois assim determina Vasquez (1998) ao citar Moral como um “sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas, dotadas de um caráter histórico e social, sejam acatadas livres e conscientemente, por uma convicção íntima, e não de uma maneira mecânica, externa ou impessoal”.

Enfim, Ética e Moral são os maiores valores do homem livre. O homem, com seu livre arbítrio, vai formando seu meio ambiente ou o destruindo, ou ele apóia a natureza e suas criaturas ou ele subjuga tudo que pode dominar, e assim ele mesmo se forma no bem ou no mal neste planeta.

etica1

Aprenda a dizer não!

Se você acha difícil dizer não, você provavelmente gasta muito tempo
fazendo coisas para os outros que você preferia não fazer. Dizer sim
quando você gostaria de não fazer o que lhe pedem pode criar estresse e
tensão no seu corpo produzindo sintomas como por exemplo, dor de
cabeça. A seguir, damos cinco formas de dizer não para você treinar:

Não simples e direto:
O objetivo aqui é dizer não sem se desculpar. A outra pessoa é a dona
do problema e você não deve permitir que ela o transfira para você.
Diga “Não, não, eu prefiro não fazer”. O não direto é poderoso e
costuma ter bom efeito até com vendedores agressivos.

Não ponderado:
Esta técnica implica em afirmar o conteúdo e o sentimento do pedido que
lhe foi feito e adicionar sua assertiva recusa no final: “Eu sei que as
cartas são urgentes mas eu não posso ir ao correio esta tarde”. Este é
um jeito firme e decisivo de dizer não e que não permite negociação
pois demonstra que você ponderou sobre o pedido e, ainda assim, não
poderá atendê-lo.

Não motivado: Neste método, você
expõe muito brevemente o motivo genuíno da sua recusa: “Eu não posso
postar as cartas esta tarde porque combinei de encontrar um amigo”.
Você pode usar este método se você deseja ser sutil mas tem um motivo
verdadeiro para não atender o pedido. Ele também não abre espaço para
negociação.

Não negociado: Esta é uma forma de
dizer não sem recusar-se definitivamente: “Eu não posso postar as
cartas esta tarde mas posso fazê-lo amanhã”. Esta forma pode ser o
prelúdio de uma negociação mas você só deve utilizá-la se você
realmente quiser e puder atender ao pedido mais tarde.

Não inquisitivo:
Não é um não definitivo e é um convite genuíno para abrir uma
negociação: “Há alguma outra hora que você gostaria que eu fosse?” Ele
pode ser usado se você deseja fazer o que foi pedido mas o momento não
lhe é apropriado.

Não do gravador quebrado: Nesta técnica você repete uma simples negação várias vezes: “Não, eu não posso ir ao correio”.
“Oh, por favor, as cartas têm que sair hoje”.
“Não, eu não posso ir ao correio”.

Este é um bom método para utilizar com pessoas persistentes.


Traduzido do artigo “Just Say No” de Trevor Powell publicado no Yoga Journal nº 138.

Vaticano abre arquivos de julgamento dos Templários

O Vaticano mantém um arquivo secreto que é disponível apenas aos estudiosos da história tendo em vista a preciosidade dos documentos e seu difícil manuseio; os documentos não são divulgados amplamente também para que haja primeiro o entendimento correto dos mesmos. Aos poucos o Vaticano está disponibilizando essa riqueza histórica aos pesquisadores. Desta vez abriu seus arquivos e publicará um inédito e exclusivo volume que reúne todos os documentos de um dos grandes julgamentos da história, o que representou o fim da “Ordem dos Templários”.
No dia 25 de outubro, o Arquivo do Vaticano apresentará a 799 fiéis reproduções do “Processus contra Templarios”, as atas do processo da Inquisição contra os Cavaleiros do Templo no início do século XIV.
A publicação da obra faz parte da iniciativa “Exemplaria Praetiosa”, que consiste na produção de exemplares com tiragem limitada de obras exclusivas conservadas nos Arquivos Vaticanos. O projeto prevê a publicação de reproduções fiéis, com todos os detalhes, desde o uso do pergaminho aos selos dourados, de documentos de grande importância histórica.
Participarão da apresentação o Arquivista e Bibliotecário da Santa Igreja Romana, Raffaele Farina, o prefeito regional do Arquivo Secreto Vaticano, Sergio Pagano, e especialistas como o historiador Franco Cardini e o arqueólogo e escritor Valerio Massimo Manfredi.
Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI1960477-EI312,00.html
A ordem religiosa dos Templários teve sua origem em Jerusalém, por volta de 1119, e foi suprimida por Clemente V em 1314 após um longo julgamento. Quem foram os Templários? Com base no texto de D. Estevão Bettencourt sobre o assunto, do seu volume de História da Igreja, vamos responder esta pergunta.
Os Templários (Milites ou Equites Templi) constituíam uma Ordem de Cavaleiros militantes, sendo a mais antiga de todas. Foi fundada em 1119 por Hugo de Payens e oito cavaleiros franceses, que se uniram numa família religiosa, ligada pelos votos habituais de pobreza, castidade e obediência, além do voto especial de defender com as armas e proteger os peregrinos que se dirigissem a Jerusalém.
O seu nome se deve ao fato de que o rei Balduíno II de Jerusalém colocou à disposição dos cavaleiros uma habitação no palácio real, que se achava na esplanada do Templo de Salomão. A Ordem dos Templários foi inicialmente muito pobre, mas cresceu rapidamente, especialmente depois que S. Bernardo, doutor da Igreja, a apoiou escreveu a sua Regra. Isto mostra sem dúvida o uso da dignidade. Um dos grandes ideais dos jovens da Idade Média era ser Cavaleiro.  São Francisco de Assis a isto aspirava.
Os Cavaleiros foram favorecidos pelo Papa Inocêncio II, e altamente beneficiados por doações, que tornaram a Ordem rica. O seu hábito era um manto branco sobre o qual estava traçada uma cruz vermelha. Juntamente com os Joanitas ou Cavaleiros Hospitaleiros (porque tinham um hospital em Jerusalém dedicado a S. João Batista), os Templários se dedicaram com suma abnegação coragem a defesa da Terra Santa; mais tarde, porém, foram vítimas de discórdias e invejas de Reis e Papas.
Filipe IV o Belo, da França, movido pela cobiça do poder e dos bens dos Templários, queria provocar a extinção dos mesmos. Em vista disto, desde 1305 começou a propagar terríveis acusações falsas contra eles. Em 1307, Clemente V, instado por Filipe, prometeu fazer um inquérito a respeito dos pretensos crimes dos Templários. O rei, porém, não esperou o procedimento papal, e mandou prender aos 13/10/1307 todos os Templários da França, inclusive o seu grão-mestre Jaques de Molay (cerca de 2000 homens), confiscando todos os seus bens (fora da França ficavam uns 1000 ou 2000 Templários ainda).
Filipe IV exortou outros reis a seguir o seu exemplo, e mandou aplicar a tortura aos irmãos para extorquir deles todas as confissões de interesse do rei. Filipe dava a crer que essas medidas eram tomadas de acordo com o Papa, quando na verdade eram todas de iniciativa e responsabilidade do rei.
A princípio, Clemente V protestou e exigiu a libertação dos encarcerados. O próprio Papa em Poitiers (1308) ouviu o depoimento de 72 Templários, que Filipe IV Ihe mandara. A decisão última foi confiada a um Concílio Ecumênico, que se reuniu em Viena (França) de outubro 1311 a maio 1312 (15º Concílio Ecumênico). O Papa Clemente, houve por bem abolir a Ordem mediante a Bula “Vox in excelso” de 22/03/1312, “não em sentença judiciária, mas como medida de prudência administrativa baseada nas faculdades da Sé Apostólica”.
O Papa não quis julgar os Templários do ponto de vista ético ou disciplinar; julgou, porém, que a existência dos Templários era um foco de distúrbios no mundo cristão da época. Esta distinção obteve o consentimento da maioria dos conciliares. Os bens dos Templários foram, em parte, atribuídos a outras Ordens Religiosas, em parte caíram nas mãos dos príncipes.
Embora tenha havido historiadores desfavoráveis à dignidade dos Templários, hoje em dia entende-se que foram vitimas de graves calúnias. Certas sociedades em nossos tempos dizem-se herdeiras dos Templários medievais, com os quais teriam uma vinculação secreta; teriam uma gnose ou conhecimentos esotéricos reservados aos iniciados.

Alquimia

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alquimia.jpgPercursora da química, a alquimia (do árabe alkimiya – a pedra filosofal) possui sua origem no antigo Egito. Os cientistas árabes refinaram de tal modo a metodologia da pesquisa tornando a alquimia a mais cientifica das operações medievais, tais pesquisadores acreditavam que todos os metais possuíam uma estrutura básica modificável, e que , desta forma, podiam ser transmutados uns nos outros.
Visionariamente duas metas impeliam os sábios medievais a uma vida inteira em laboratórios: a pedra filosofal, cuja substância manteria poderes de transformação de qualquer metal menos nobre em ouro e o elixir da longa vida – o al-iksir dos árabes (essência), cuja capacidade era o prolongamento indefinido da vida das pessoas.
Sempre houve uma elite de alquimistas desinteressados da mera busca de produzir ouro através de processos mágicos, para esses, o trabalho laboratorial era essencialmente centrado no símbolo e em seu efeito psíquico. Quanto ao ouro, estavam convencidos de que não almejavam o vil metal, mas uma transmutação espiritual própria.
Aurum nostrum nom est aurum vulgi – ensinavam – Nosso ouro não é o do vulgo.
Transformai-vos em pedras filosofais vivas!
Os alquimistas nunca diriam em linguagem explicita o que lhes passava pela mente. Invocavam em defesa da obscuridade o desejo e a necessidade de proteger ensinamentos secretos da compreensão do vulgo, que os poderia usar indevidamente.
Ao desenvolverem-se as ciências modernas como a psicologia e a física quântica, os textos alquímicos passaram a serem vistos com admiração, ainda que não tenham sido resgatados em sua plenitude. Para Lyall Watson a transmutação dos metais significava apenas o simbolismo da transformação do ser humano em algo mais perfeito, por meio da exploração potencial da natureza.
Jung, o enciclopédico doutor suíço considerava-a mais como precursora da moderna psicologia do que da química moderna, as raízes da psicologia encontravam solidamente implantadas nos textos alquímicos que estudou durante mais de uma década.
Através de seus enigmáticos textos, cheios de símbolos, os alquimistas nos falam de coisas como consciente e inconsciente, hemisférios cerebrais, corpo, alma e espírito, processo evolutivo, integração personalidade/individualidade, polaridade energética dos seres, psíquico da matéria, restrições impostas pelo acoplamento da unidade espiritual ao corpo físico, redenção como um trabalho pessoal de cada um, e talvez muitas coisas que ainda não tenhamos percebido em seus escritos.
A alquimia, da mesma forma que a astrologia séria, além de ser uma ciência secular baseia-se no pensamento analógico.
Na observação do comportamento psicológico humano, frequentemente são encontrados processos e vivências fora de nossa expectativa racional, este fato apesar de sua existência é ignorado pela postura racionalista da ciência, porém Carl Gustav Jung, criador da psicologia discordando entre outros pontos das citações freudianas, concluiu que o inconsciente possui algo mais que conteúdos infantis reprimidos, encontrando em determinados pacientes sem interações, imagens históricas propagando-se universalmente, e aflorando, em certas situações psíquicas naturais à mente.
Carl Jung deu o nome de arquétipos à esse conjunto de formas, emoções, posturas, ideias e situações; modelos que compõem o conhecimento universal, ainda que não estejamos conscientes disto.
Na observação atenta da natureza e a vida humana podemos perceber um processo envolvendo um movimento de ir entre dois pólos da existência: matéria e espírito. Não se tratando de pólos opostos, e sim extremidades opostas de uma escala que condensa-se em uma direção e rarefaz-se na outra.
A condensação do espírito se faz gradualmente, camada por camada até tornar-se matéria, e esta última é rarefeita pelo mesmo processo no sentido inverso até tornar-se espírito.
Dá-se o nome de criação ao processo de condensação e liberação ao de rarefação.
Considerando-se o espírito como um ápice central, assim como nosso astro rei o Sol, desta maneira a criação representa um ponto de afastamento deste ápice central e de penetração na área que o circunda, transmitindo desta mesma forma que o Sol sua energia na forma de eternos pontos de luz condensando-se gradualmente, de uma forma éterica à uma forma material.
Segundo ainda alguns conceitos alquimistas, no estágio final, eles criam uma forma de vida, do reino humanóide ao reino mineral, e no desaparecimento dessa forma, os materiais que a constituem são liberados e se tornam rarefeitos, transformando-se em energia que mais uma vez são atraídas ao ápice central (O Sol).
Ao exalar do Sol há a inalação da Terra, ao exalar da Terra há a inalação do Sol.
Ao exalar do Sol, raios de energia espalham-se em cada um dos planetas criando um número infinito de formas de vida, a Ciência já encontrou tundras em plutão, mas em se tratando de alquimia essas formas de vida podem permanecer em dimensões inacessíveis ao nossos olhos devido a multiplicação.
Quando o Sol inala, os raios provenientes dessas mesmas formas de vida retornam para o ponto central, isso é a síntese, esse processo é observado no reino vegetal durante as estações do ano que simbolizam a exalação e a inalação do Sol.
Depois do verão, a energia-vida em sua busca do ponto central concentra-se nas sementes, enquanto as outras formas definham e perecem, servindo de alimento para as sementes em germinação. Este ciclo de condensação e rarefação é a construção da matéria para obter a forma e o ciclo continuo de sua decomposição. A digestão humana dos alimentos consiste em um processo similar, o alimento que ingerimos é composto de várias formas de vida que consecutivamente são convertidas, transformadas e digeridas.
Podemos observar uma semelhança no processo da alma humana, as experiências, e impressões e inspirações alimentam nossas almas para seu desenvolvimento, e, são transformadas por ela resultando em suas próprias formas de vida, pensamentos, sentimentos, vontades e ações.
alquimia3p.jpgEm uma auto observação podemos observar esse mesmo ritmo em fases-eu (afastamento da essência) e fases-você (convergência à essência).
No decorrer das fases-eu o indivíduo se converge da unidade para a multiplicidade, enquanto nas fases-você converge-se da multiplicidade para a unidade. Nas fases-eu, o indivíduo expressa-se por conta própria e risco próprio,
enquanto nas fases-você ele deixa-se guiar por seus mestres e interage com o ambiente que o rodeia.
Em antecipação ao entendimento da alquimia é necessário idealizar claramente o processo da vida.
O processo de Transmutação declara-nos haver apenas uma força cósmica se revelando a nós sob várias formas e atuando em várias direções operacionais.
Em primeiro enquanto o espírito se encontra no processo de materialização – Força de vida.
Em segundo enquanto a matéria está se transformando em espírito – de morte.
Cada criatura transmuta essa força única enquanto ela flui de seu ser, essa força é utilizada para a criação de uma variedade de formas, desde o corpo humano transmutando energia para o desenvolvimento da alma, ou na planta absorvendo alimento para florir.
Desprendendo partículas de si mesmos os metais também sofrem um processo de transmutação muito lento.
O alvo da alquimia é portanto a transformação gradual da forma material, no interior da qual está expressa uma força ou poder, numa direção que vai do grosseiro para o requintado.
Em comparação com o Mestre da humanidade, possuímos pouca porcentagem de consciência desperta, e, em todos os livros de alquimia lemos que para fazer ouro sempre temos que começar com uma pequena quantidade desse metal, não se tratando do ouro vulgar, podemos dizer que possuímos o necessário para transmutarmos nosso pequeno índice de consciência em algo mais grandioso.
Trabalhando então com essa pequena quantidade, o ouro então se multiplica, se utilizarmos uma analogia, isso se torna mais compreensível, um indivíduo humano não pode tornar-se um Deus se nele não houver uma porcentagem de Divindade. Entre todos os metais, o ouro é análogo à natureza divina do homem, assim como o Sol e o coração.
A liberação, o retorno da matéria para o espírito inicia-se na área mais distante do ponto divino.
A condensação é maior na periferia: matéria, materialismo, ignorância e inconsciência. Por esse motivo, o processo de aceleração alquímica deve iniciar-se com a purificação da matéria, paralelo ao despertar da percepção da verdade na alma, assim sendo o homem deve perceber que é um filho de Deus e que possui dentro de si o ouro divino, o embrião de alma a ser desenvolvido.
Durante o sono, entre a morte e o renascimento e no mundo, ocorre esse processo de purificação em cada alma humana, desse modo o alquimista purifica a substância com a qual pretende trabalhar e que pode ser os próprios conteúdos psíquicos, até que as tenha em suas mãos em estado puro de Matéria Prima, o Corpo Causal, Mental e Astral em estados solares ou irradiantes.
No curso da chamada Santa Missa, que representa o processo diário e anual que ocorre entre o Sol e a Terra, e, entre Deus e o homem, inicia-se com um ato de purificação do corpo por meio da aspersão com água benta contida em um aspersório (aspergs me) e a da alma pela confissão dos pecados (confiteor), mas o adharma católico marcou presença político-religiosa na época de Hitler, e, sem duvidas levou Jung a saber que a única tradição associada ao Cristianismo que considerava a alma humana como receptáculo do encontro divino-humano era a dos gnósticos.
Os princípios da química, colocados em ação pelos alquimistas inicia-se com uma mistura compacta basicamente composta de três componentes em um almofariz de ágata, mas o ouro que procuramos não é o ouro do vulgo, e sim uma mudança dentro do próprio alquimista, sujeito a mutações, atingirá outro estado de ser elevando-se a outro nível de consciência.
O que a alquimia descreve em termos químicos superficiais é paralelo ao processo de refinamento que ocorre dentro do próprio homem, a alquimia interior, pode verdadeiramente agir sem sua correspondente exterior.
O coração divino de um ser humano deseja voltar à Origem, e, quanto mais a pessoa auxilia o processo, tanto mais este é completado, pois o caminho já está residuado subconscientemente. O ser se afasta naturalmente das coisas impuras na procura da paz e natureza tranqüila ainda não conspurcada, observando o processo da transmutação, através da introspecção, observando o íntimo e os eventos exteriores, obtém sua consciência de transformação por estágios.
Em épocas primitivas, quando as pessoas pensavam através das imagens, um vasto e rico material arquétipo se fizera.
Cada estágio alquímico corresponde à um nível de crescimento da alma.
No athanor, o forno do alquimista, arde o fogo que consome a imundície e coze a matéria, esse forno é análogo ao nosso fogo vital, que se conceitua ser a kundalini. Ele é análogo ao fogo espiritual que há em nossa alma e arde para purifica-la, é a vontade forte que cozinha o ego, a alma e o corpo, e a essa decisão representa o processo de calcinação na alma.
A morte do velho ego para o alquimista traduz o objetivo de sua essência e este não é fugir da Terra o mais depressa possível a fim de alcançar o céu e sua bem-aventurança, mas contribuir para a santificação geral da Terra e de todas as suas criaturas, conduzindo-a ao estado original a que se aspira.
A sublimação é produzida por um processo de vida puro, com uma dieta sóbria, que em outras palavras só devemos tirar aquilo que a planta está preparada para doar-nos.
O processo da solução é o do silêncio trazendo-nos a paz que deriva de uma fusão completa de opostos, é também o estágio de Mercúrio, o assexuado, o ser perfeito. Na vida procuramos chegar a isto através da meditação.
A Própria natureza fornece-nos um modelo para esse processo, na união espiritual e física entre um homem e uma mulher puros. Este era o casamento, na antiguidade, entre o sumo-sacerdote e a representante de uma deusa, ou da alta sacerdotisa e o representante de um deus.
Em tal união não há ejaculação de esperma nem desejos descontrolados, uma vez que os fluidos produzidos pelas glândulas sexuais já foram refinados e tornaram-se correntes etéricas de energia que podem alcançar rapidamente altitudes mais elevadas; especialmente a glândula pineal, ativando e desenvolvendo as mais altas capacidades do homem. Nesse momento de união, todos os pares de pólos do corpo inteiro se fundem e se unem representando as energias de todos os pares de órgãos e glândulas, até onde se opõem mutuamente, todos se tornam um. Em nossa educação superficial, lutamos para conseguir isso através de mantras e da meditação, todos os desejos se evaporam e o egoísmo desaparece, dessa forma libertamos a centelha divina que está no coração e que então envia sua irradiação jubilosa para cima, para cabeça e para consciência do indivíduo, do templo para o templo.

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2008: Ano 10 da Cabala

2008: Ano 10 da Cabala
:: Graziella Marraccini ::

2008 será o ano 10 da cabala. A soma de 2 + 8 é igual a 10 que é igual a 1, portanto o ano 10 é um ano 1. Isto significa que em 2008 termina um ciclo ao mesmo tempo que outro se inicia. No 10 existe o embrião do 1, assim como em Malkut (a décima esfera da Arvore sefirotal) existe o embrião de Keter, a primeira esfera da Arvore. A Cabala é um sistema filosófico de pensamento que através do estudo de um conjunto de símbolos sintizados na Arvore Sefirotal, ou Arvore da Vida, nos leva a fazer reflexões filosóficas sobre a criação da vida tal que nós a conhecemos.

A Arvore da Vida é composta de 10 (dez) ESFERAS, ou círculos, chamados SEPHIROTH (no singular SEPHIRAH). Elas representam princípios energéticos provenientes do TODO e estão dispostas em três triângulos sucessivos, sendo que a décima esfera se encontra isolada em baixo. (ver a figura). As esferas, ou Sephiroth, são ligadas entre si por 22 caminhos, que indicam as formas de união possível entre as varias energias que percorridos perfazem 32 pontos de meditação usados para a evolução espiritual. O 33º ponto indicaria então o resultado final, o conhecimento, a perfeição no caminho do desenvolvimento espiritual, assim como 33 são os anos que o Cristo, Filho de Deus permaneceu entre nós. Em nossa evolução espiritual, nós seres humanos, percorremos as Esferas de baixo para cima, no caminho de volta para a União com o Pai, e seguindo nosso caminho de desenvolvimento espiritual ao longo das encarnações sucessivas.

As Sephiroth, são numeradas de 1 a 10, partindo de cima para baixo, ou seja no sentido em que a matérialização acontece quando a idéia se materializa no nosso planeta. A Terra é representada pela última esfera em baixo, chamada de Malkuth, o Reino, e que possui o número 10. A esfera de número 1, Keter, tem como planeta de representação Plutão (úiltimo planeta conhecido de nosso sistema solar), e significa o inicio de tudo, a geração da vida. Estudando a figura podemos compreender que tudo o que é gerado na terra se inicia com uma idéia e ao se cristalizar, ou seja, descendo ao longo das esferas e tocando-as uma por uma, se materializa finalmente no numero 10. Mas este número 10 poderia também ser o início de uma outra Arvore, que seria criada então mais abaixo, onde o 10 se tornaria 1 novamente. Do mesmo modo aconece na parte superior onde o 1 pode ser correspondente de outra arvore superior da qual ela, Keter, seria o 10.
Os cabalistas dizem que essas arvores, acima e abaixo da nossa, realmente existem: as arvores superiores representariam as energias que levarão nossa humanidade a um maior desenvolvimento espiritual, e as arvores inferiores, representariam aquela materialidade que nos faz regredir em nossa evolução espiritual. Se quisermos evoluir devemos sempre terminar os ciclos, ou seja, partir novamente para o 1 quando o 10 estiver terminando. Assim, podemos concluir que um ano 10 seria ótimo para iniciarmos novos projetos de vida, mas também para concluir definitivamente os outros que eventualmente estão em andamento.

A energia de Keter, a Nº 1 é regida e organizada pelo Genio METATRON, e seu côro Angelical é chamado Chayoth Há Qadosh, ou Santas Criaturas Vivas.
A 10a SEPHIRAH, MALKUTH representa o mundo físico, a nossa terra, a humanidade. Ela representa a etapa final da descida da matéria, o resultado finalmente cristalizado da idéia inicial. Por isso é chamada também de REINO. O Gênio regente dessa esfera é SANDALPHON, e seus Coros angelicais são chamados de Almas Abençoadas, ou Almas de Fogo ( Achim).

No tarôt, o Arcano de X (10 em numero romano) é chamado A RODA. O simbolo do Arcano 10 no alfabeto hebraico é IOD que parece como uma pequena ‘virgula’. Essa simbologia não é sem razão. O Hieróglifo do Arcano parece um dedo indicador, aquele dedo que usamos no gesto de comando, quando apontamos o dedo (vocês lembram da pintura de Leonardo da Vinci que no teto da Capela Sistina mostra Deus criando o Homem?) A manifestação dessa energia de criação é simbolizada pelo aspecto fálico de IOD que demonstra como é a manifestação da vida em busca de materialização, de cristalização. A lâmina do Arcano X é chamada também de Esfinge ou Roda da Fortuna. Ela representa um sistema fechado, capaz de efetuar transformações cíclicas ao longo da vida. A Esfinge tem como lema; OUSAR, CALAR, SABER, QUERER, e indica que somente através do desenvolvimento dessas quatro qualidades (ou quatro elementos básicos) pode acontecer a atividade criadora, a materialização. Sábios conselhos esses que a ESFINGE nos transmite e que deveríamos seguir sempre em nossa vida!
A RODA gira incessantemente, terminando ciclos e iniciando outros, assim como a sorte dos seres humanos. Sobre a Roda são colocados alguns personagens (normalmente 3 macacos) um subindo na roda, outro lá em cima, outro descendo. Eles simbolizam aqueles seres que sobem nas alturas, buscando o desenvolvimento espiritual, e aqueles seres que caem, sucumbindo ao seu lado animalesco, escravos da matéria. O “Moinho das Transformações” – como é chamado por G.O.Mebes – roda e mói tudo e todos, e nos leva implacavelmente consigo. No entanto, neste processo geral existe uma clara e metódica motivação de um ENTE SUPERIOR” que nos indica que podemos controlar o movimento da roda. Do mesmo modo, que o sobe e desce nos caminhos da Arvore da Vida, é idêntica à alegoria da Escada de Jacó descrita na Bíblia, e indica o sobe e desce das almas em evolução ao longo das encarnações, a Roda também indica essa evolução que está em movimento constante, sempre levando para cima e para baixo as almas encarnadas! È ela que nos permite evoluir, se assim o desejamos. Ela nos permite o Livre Arbitrio visando sempre a um desígnio superior.

Do ponto de vista aritmético 10 é = a 1 + 9, indicando que o 1 para se manifestar precisa de outros 9 componentes, ou 9 atributos qualitativos e energéticos. A décima manifestação é simplesmente a sintetização das outras 9. O numero 10 também pode ser conseguido somando-se 2 + 8 = 3 + 7, etc. etc., mas neste artigo vou me ater à primeira formula mais facilmente assimilável.

Concluindo, podemos dizer que todo número 1 é indicativo de algo que se inicia, portanto, 2008 será um ano ótimo para iniciar novos projetos de vida. O numero 1 da roda zodiacal é representado pelo signo de Áries. Quando o Sol cruza a elíptica do equador celeste a 0º graus do signo inicia o novo ano solar. Poderiamos dizer então que o verdadeiro ano 1 iniciará em 20 de março de 2008. A astrologia ensina que Áries é considerado um pioneiro por natureza, um ‘opener’, um abridor de caminhos, portanto um iniciador de novos projetos e um conquistador, como indica a natureza fogosa de Marte, seu regente. Marte é também o regente de 2008, e no sincronismo astral, este será um ano regido por esse planeta. (Veja aqui o artigo correspondente já publicado no site).

O número 1 é representado nos arcanos inferiores do tarô pelo Ás de todos os quatro naipes. Porém o Às de Paus é mais inerente à natureza de IOD, o criador. Segundo o TETRAGRAMA SAGRADO – IOD HE VAU HE – teríamos IOD, como o Às de Paus, o primeiro HE como o Às de Copas, o VAU como sendo o Ás de Espadas e o segundo HE como o Às de Ouros. O tarô indica que o primeiro engendra, o segundo recebe, o terceiro fecunda, o quarto materializa.
Neste ano, caros leitores, devemos lembrar sempre dessa ‘formula mágica’ se quisermos materializar nossos desejos! De nada adianta termos receitinhas de rituais esotéricos se não conseguirmos, ao longo do ano, superar essas quatro etapas. De nada adianta termos idéias se não as materializamos. De nada adianta recebermos uma semente (IOD) se não soubermos plantá-la (HE), e alimentá-la (VAU) para que ela cresça forte e nos dê seus frutos (HE)!

E, lembrem-se que tudo, tudo o que é criado é fruto do AMOR, já que DEUS só se manifesta através do AMOR e o AMOR é o fertilizante para que tudo cresça e dê frutos! Vivam 2008 gerando amor em seus corações e Ele vos dará a harmonia e a felicidade que merecerem.

Um FELIZ 2008 com muitas realizações e novas iniciativas para todos!

Encontrei esse texto aqui neste ótimo blog

O Valor da Ignorância

Pseudo-conhecimento

“Só sei que nada sei”. Esta deve ser a frase mais famosa da História da Filosofia. Quem nunca a ouviu? E quem nunca a pronunciou em alguma ocasião? A sentença é originalmente atribuída a Sócrates, o filósofo precursor da Filosofia clássica grega. Sócrates não registrou em texto seus ensinamentos, mas o mais famoso de seus discípulos, Platão, nos legou uma extensa obra. Esta obra é majoritariamente composta por diálogos. Que também em sua maioria têm em Sócrates seu personagem central. Se os diálogos platônicos estão mais próximos de ser uma exposição literal das palavras de Sócrates, ou uma criação filosófica e literária de Platão, não é importante aqui. O que sim importa é que Sócrates nos aparece como alguém que busca o conhecimento, alguém que questiona os supostos sábios sem se considerar sábio ele mesmo.

É a esse caráter ao mesmo tempo crítico e despretensioso de Sócrates que a sentença “Só sei que nada sei” se refere: crítico em relação ao suposto conhecimento alheio; despretensioso em relação ao que ele próprio conhece. Pois um conhecimento que não se sustenta diante da investigação racional não é de fato um conhecimento. É apenas algo que se parece com o conhecimento sem de fato o ser. É um pseudo-conhecimento. E, como Sócrates não cansa de nos lembrar, nada nos afasta mais do conhecimento do que o pseudo-conhecimento.

Acontece que não é preciso buscar aquilo que já temos. Assim, se pensamos ter o conhecimento, também pensamos não precisar buscá-lo. Daí porque, se estamos iludidos a esse respeito, essa ilusão é o maior obstáculo para a obtenção do conhecimento. Como já disse alguém, não há melhor prisão do que aquela que não se parece com uma prisão. Para que tentemos nos libertar de nossas amarras, antes devemos nos dar conta de que estamos amarrados. Para que tentemos alcançar o conhecimento, antes devemos nos dar conta de que somos ignorantes. É somente na seqüência dessa descoberta, da descoberta de nossa própria ignorância, que podemos nos colocar no caminho da busca do conhecimento. Se estivermos aprisionados, todo adereço acrescentado à prisão servirá apenas para esconder ainda mais a natureza dessa prisão. Nenhum enfeite afixado nas paredes que nos encadeiam servirá para derrubá-las, nenhum ornamento nos libertará. A liberdade precisa começar pelo desnudamento de nossas cadeias, pelo desmascaramento das ilusões que nos confundem, pela denúncia de todo pseudo-conhecimento.

Mas já basta de metáforas. Que tipo de prisão é exatamente essa prisão formada pelo pseudo-conhecimento? É uma prisão mental. É o nosso espírito, são as nossas idéias e o nosso raciocínio que estão neste caso encarcerados. Como se chama essa prisão? Há várias delas, de fato, e muitas nos são familiares. Preconceito, estreiteza de espírito e indolência são alguns de seus nomes. Como podemos escapar de tais prisões? Pela crítica atenta e ativa dos preconceitos, pelo esforço consciente e incessante para ampliarmos os limites de nosso espírito, questionarmos nossas próprias idéias e aguçarmos nosso raciocínio.

E esta tarefa não é fácil nem simples. Muitas vezes ouvi a sentença “Só sei que nada sei” ser empregue como se ela fosse uma espécie de mantra, uma encantamento que muito fácil e rapidamente nos permitisse o acesso a um mundo maravilhoso de riquezas e esplendores. De fato, algumas pessoas parecem acreditar que essa expressão proporcione uma experiência parecida com a que acontece naquela história infantil em que as palavras “Abre-te, Sésamo!” automaticamente abrem as portas de uma caverna repleta de tesouros. A diferença seria que, no caso da sentença socrática, os tesouros aos quais ela nos daria acesso seriam tesouros espirituais ao invés de serem riquezas materiais. Porém, tanto num caso quanto noutro, o acesso seria simples e imediato. Algumas palavras seriam pronunciadas e prontamente um universo de maravilhas se descortinaria diante de cada um de nós. Mas, no caso do conhecimento, não é absolutamente assim que acontece.

Pseudo-ignorância

A ignorância – ou, se preferirem, a consciência de nossa própria ignorância – não nos é dada gratuitamente; a ignorância tem um preço. Não a ganhamos, a conquistamos. E com trabalho, com muito trabalho. Como tudo o mais que tem algum valor na vida, também a obtenção da ignorância exige esforço, paciência e dedicação. Pois ocorre que nos é muito mais natural crer do que duvidar. Nossa tendência é crer que as coisas de fato sejam como elas de início nos parecem ser. A dúvida acerca dessa aparência primeira pode surgir de diversos modos, e um desses modos é o modo filosófico. Neste caso, se trata de um esforço deliberado e metódico para colocar em questão as aparências. E este esforço não é fácil nem é simples.

É possível colocar em dúvida mesmo aquelas verdades mais evidentes e aparentemente inegáveis. Pensem, por exemplo, no gênio maligno de René Descartes – na suposição de que poderia existir uma criatura supremamente poderosa e malévola que tivesse por objetivo nos enganar inclusive a respeito daquelas coisas que nos parecem mais obviamente verdadeiras (o supercomputador do filme Matrix pode ser tomado como uma versão contemporânea de tal criatura). Não raro, essa singular hipótese é tomada por uma simples brincadeira filosófica. Mas ela é muito mais do que isto: ela é uma alegoria de certas conseqüências dos limites e da natureza de nosso conhecimento. Quem comete este equívoco talvez ignore que a invenção de uma tal criatura pretende pavimentar o caminho da dúvida através de uma imagem sugestiva. E isto porque a dúvida, e em particular, a dúvida sobre fatos que nos parecem óbvios – fatos sobre a nossa própria existência, por exemplo –, não é gerada sem que empreendamos um diligente esforço para tanto. E o exercício da dúvida é o instrumento indispensável que nos permite eliminar os fragmentos de pseudo-conhecimento reunidos ao longo dos anos que atulham nossa mente. É o exercício da dúvida que nos permite alcançar a ignorância.

Parte considerável dos esforços dos filósofos, portanto, é dedicada à tarefa de obter essa autêntica ignorância. Pois a fonte do pseudo-conhecimento é a pseudo-ignorância. A pseudo-ignorância é o resultado da tentativa insuficiente e fracassada em eliminar as crenças irracionais que se acumulam em nosso espírito. Diante desse fracasso, continuamos a sustentar idéias infundadas e a guiar nossas ações com base em pontos de vista que, ao fim e ao cabo, não têm sustentação racional. E tudo isto porque desde o início falhamos na tarefa de desmascarar nossa própria ignorância.

Enfim, o valor da ignorância é extraordinário. Defrontar a autêntica ignorância, único terreno sobre o qual o autêntico conhecimento pode ser erigido, é um empreendimento indispensável e virtualmente interminável. O mundo nos oferece constantemente idéias enganosas das quais precisamos nos depurar e essa depuração não é um trabalho do qual possamos dar conta sem esforço e método. Ter constantemente presente a necessidade deste trabalho e lembrar aos demais disto com uma persistência que beire a provocação – como o fazia o próprio Sócrates – pode ser uma boa maneira de se começar a filosofar.

A morte de Sócrates, pintura de Jacques Louis David, 1787

A morte de Sócrates, pintura de Jacques Louis David, 1787